Aula 03 Cultura e sociedade

TEMA: Cultura e sociedade

 

Nossa aula presencial foi

3ºA: quarta-feira, 23/02/2022; retomada 09/03/2022

3ºB: sexta-feira, 25/02/2022; retomada 04/03/2022; e 11/03/2022

3ºC: sexta-feira, 25/02/2022; retomada 04/03/2022; 11/03/2022

3ºD: quarta-feira, 23/02/2022; retomada 09/03/2022

 

EIXO TEMÁTICO:

A Concepção Antropológica de Cultura e a Diversidade Cultural

 

HABILIDADE(S):

Compreender o conceito de etnocentrismo e as relações de poder nele implicadas

 

CONTEÚDO:

Conceito antropológico de cultura: a desnaturalização dos costumes

 

METODOLOGIA:

O objetivo dessa aula é trabalhar o conceito antropológico de cultura. Para tanto, nos serviremos de aula expositiva com base no estudo de um texto e resolução de questões recorrentes em processos seletivos.

O itinerário para essa aula será trabalhar o conceito de cultura de Edward Tylor que compreende o comportamento humano determinado por aspectos materiais e imateriais. Em seguida o conceito do dicionário que entende cultura como capacidades não inatas e nas ciências humanas que diferencia a metodologia dos estudos culturais dos estudos das Ciências da Natureza. Por fim discutir sobre o Etnocentrismo.

 

MATERIAL:

Conceito de cultura (extraído do Dicionário Aurélio Eletrônico Século XXI):

O conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade.

 

Nas ciências humanas, opõe-se por vezes à ideia de natureza, ou de constituição biológica, e está associada a uma capacidade de simbolização considerada própria da vida coletiva e que é a base das interações sociais.



 

CONCEITO ANTROPOLÓGICO DE CULTURA: A DESNATURALIZAÇÃO DOS COSTUMES

 

Desde a Antiguidade, tem-se tentado explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das diversidades genéticas ou geográficas.

 

As características biológicas não são determinantes das diferenças culturais: por exemplo, se uma criança brasileira for criada na França, ela crescerá como uma francesa, aprendendo a língua, os hábitos, crenças e valores dos franceses.

 

Podemos citar, ainda, o fato de que muitas atividades que são atribuídas às mulheres numa cultura são responsabilidade dos homens em outra.

 

O ambiente físico também não explica a diversidade cultural. Por exemplo, os lapões e os esquimós vivem em ambientes muito semelhantes – os lapões habitam o norte da Europa e os esquimós o norte da América. Era de se esperar que eles tivessem comportamentos semelhantes, mas seus estilos de vida são bem diferentes. Os esquimós constroem os iglus amontoando blocos de gelo num formato de colmeia e forram a casa por dentro com peles de animais. Com a ajuda do fogo, eles conseguem manter o interior da casa aquecido. Quando quer se mudar, o esquimó abandona a casa levando apenas suas coisas e constrói um novo iglu.

 

Os lapões vivem em tendas de peles de rena. Quando desejam se mudar, eles têm que desmontar o acampamento, secar as peles e transportar tudo para o novo local.

 

Os lapões criam renas, enquanto os esquimós apenas caçam renas.

 

Outros exemplos são as tribos de índios que habitam uma mesma área florestal e têm modos de vida bem diferentes: algumas são amigáveis, enquanto outras são ferozes; algumas se alimentam de vegetais e sementes, outras caçam; têm rituais diferentes; etc.

 

O comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo chamado endoculturação ou socialização. Pessoas de raças ou sexos diferentes têm comportamentos diferentes não em função de transmissão genética ou do ambiente em que vivem, mas por terem recebido uma educação diferenciada.

 

Assim, podemos concluir que é a cultura que determina a diferença de comportamento entre os homens.

 

O homem age de acordo com os seus padrões culturais, ele é resultado do meio em que foi socializado.

 

ETNOCENTRISMO

 

Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc.

 

Como uma espécie de pano de fundo da questão etnocêntrica temos a experiência de um choque cultural. De um lado, conhecemos um grupo do "eu", o "nosso" grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no mesmo estilo, distribui o poder da mesma forma empresta à vida significados em comum e procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí então de repente, nos deparamos com um "outro", o grupo do "diferente" que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este outro também sobrevive à sua maneira, gosta dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe.

 

Este choque gerador do etnocentrismo nasce, talvez, na constatação das diferenças. Grosso modo, um mal-entendido sociológico. A diferença é ameaçadora porque fere nossa própria identidade cultural.

 

Mas, existem ideias que se contrapõem ao etnocentrismo. Uma das mais importantes é a de relativização. Quando vemos que as verdades da vida são menos uma questão de essência das coisas e mais uma questão de posição: estamos relativizando. Quando o significado de um ato é visto não na sua dimensão absoluta, mas no contexto em que acontece: estamos relativizando. Quando compreendemos o "outro" nos seus próprios valores e não nos nossos: estamos relativizando. Enfim, relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação capaz de ter tido um nascimento, capaz de ter um fim ou uma transformação. Ver as coisas do mundo como a relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores ou em bem e mal, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser diferença.
















ATIVIDADE AVALIATIVA:

 

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