TEMA: Teoria Queer e Identidade de Gênero
Nossa aula foi:
3ºA,
3ºB,
3ºC,
3ºD,
EIXO TEMÁTICO
Identidade, Preconceito e
Discriminação
HABILIDADES
Entender os problemas sociais e seus reflexos para a mobilização de pessoas e grupos sociais dentro da sociedade.
CONTEÚDO
Os movimentos sociais de minorias em busca de identidade e cidadania: Afrodescendentes; Mulheres, LGBT, Ambientalistas, MST, e mais aqueles que forem pertinentes à realidade local.
METODOLOGIA:
O objetivo dessa aula é trabalhar o
conceito queer e identidade no contexto da discussão sobre gênero e sexualidade.
Para tanto, nos serviremos de aula expositiva com base em leitura de
texto e resolução de uma questão durante o debate da aula e um questionário exploratório
do texto com a utilização de aparelho eletrônico com conexão com a internet.
MATERIAL:
TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À
SEXUALIDADE E O GÊNERO
Se a heterossexualidade sempre existiu, também foi assim com todas as
outras possibilidades de sexualidade. Todavia, a categoria homossexualidade é
uma invenção do século 19, como aponta Louro (2001) ao dizer que a prática
homossexual, mesmo sendo ainda considerada desviante, já passava a ser também
reconhecida como tipo especial e distintivo de sexualidade do ser humano, o que
perdurou até meados da década de 1970. Pouco a pouco, segundo a autora, começa
a surgir a ideia de uma comunidade homossexual, na qual seus integrantes se
encontrariam representados em razão de suas orientações sexuais, buscando
direitos de igualdade mesmo se considerando diferentes do restante da sociedade
heterossexual. Apoiavam-se, assim, em uma identidade homossexual que deveria, sobretudo,
ser pública.
Durante muito tempo e ainda na atualidade, diferentes autores dos estudos
sobre a sexualidade e o gênero têm pensado essas categorias como identidades
fixas, alinhadas e compartilhadas universalmente, mesmo que aceitem, como Mott
(2003), recortes transversais de raça/etnia, idade, classe social, entre
outros. Para entender como isso funciona, é necessário recorrer aos estudos
sobre identidade e ancorar a compreensão em autores que dirão que a identidade,
ao contrário do que se possa pensar, não é estática nem permanente, mas
acompanha a dinamicidade e o movimento da história e do real (FERNANDES, 2006).
No entanto, esses autores, conhecidos por construírem políticas
identitárias no seio da discussão sobre sexualidade e gênero, compreendem tais
temas sob uma perspectiva essencialista (COLLING, 2010), unificada (LOURO,
2001) e conservando representações sociais vigentes (MISKOLCI, 2009). Enquanto
trabalham pela inclusão dos não heterossexuais na dinâmica social, lutando por
reconhecimento e legitimação, acabam por esquecerem de fazer a crítica à esses
modelos já definidos, sob o discurso de que essas identidades devem ser aceitas
a qualquer custo6. Essa luta, que é também "um apelo no social para que a
identidade dos sujeitos permaneça igual a um determinado tipo de identidade,
que é produzida pela cultura do seu tempo histórico" (FERNANDES, 2006, p.
2), demanda que homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais consolidem
suas identidades de um modo transcultural e transecular, de modo que coincida
com a identidade idealizada ainda na década de 1970 quando do surgimento dos
guetos e comunidades homossexuais.
Um contraponto importante a essa discussão é o que se convencionou chamar
na história de Teoria Queer, como método analítico que além de defender a
desnaturalização da sexualidade e do gênero como fenômenos não implícitos da
natureza, mas de ordem também política, social e cultural percebe as
identidades e a própria sexualidade de forma muito mais fluída, apontando as
fraturas e contradições da estrutura social, contestando os "regimes
normalizadores que criam tanto as identidades quanto sua posição subordinada no
social" (MISKOLCI, 2009).
É nesse sentido que o conceito de identidade não pode representar algo
estanque, tampouco deve ser percebido como caráter de idêntico em uma sociedade
onde a diversidade é tamanha (FERNANDES, 2006), pois se o pensamento for esse,
estaria corroborando com a ideia falsa, por exemplo, de uma identidade sexual
naturalmente heterossexual, construída em um determinado tempo histórico e
estabelecida no campo da cultura.
Essas contradições nas políticas identitárias podem ser percebidas também
quando se trata do movimento de mulheres, ou, como se convencionou chamar na
contemporaneidade, sobre as políticas de gênero mesmo que, majoritariamente,
essas políticas não sejam para os homens.
Butler (2010) em suas análises sobre as questões relativas ao gênero
aponta que o movimento feminista pressupunha em sua origem e na essência, uma
identidade definida e genericamente compartilhada para a categoria de mulheres,
na qual elas se reconheceriam e se representariam. Para a autora, no entanto,
não há um sujeito do feminismo e quiçá as mulheres ocupam esse lugar
simplesmente por serem biologicamente mulheres:
[...] já não está claro que a teoria feminista tenha que tentar resolver
as questões da identidade primária para dar continuidade à tarefa política. Em
vez disso, devemos nos perguntar: que possibilidades políticas são
consequências de uma crítica radical das categorias de identidade? Que formas
novas de política surgem quando a noção de identidade como base comum já não
restringe o discurso sobre políticas feministas? E até que ponto o esforço para
localizar uma identidade comum como fundamento para uma política feminista
impede uma investigação radical sobre as construções e as normas políticas da
própria identidade? (BUTLER, 2010, p. 9-10).
Lutar pela igualdade entre mulheres e homens como se todos fossem
idênticos, sem levar em consideração a diversidade ou lutar pela equidade em
razão das diferenças entre mulheres e homens o que, por vezes, marca antigas
relações de gênero e naturaliza a subordinação da fêmea ao macho como algo
essencial de seus sexos quaisquer dessas posições endossam e definem as pessoas,
incumbido papeis de gênero, modos e condições de vida, distintos para homens e
mulheres, porque colocam mais uma vez as relações humanas no binarismo
compulsório do qual todos fazem parte.
SEXUALIDADE EM RELAÇÃO COM O SISTEMA ECONÔMICO
Mas a produção de identidades também está atrelada às condições objetivas
e subjetivas para o seu reconhecimento. Silveira (2002, p. 104) entende que os
processos subjetivos possuem relação com a interioridade dos sujeitos,
"tensionados e interpelados através das expressões concretas da
sociabilidade hegemônica". Nesse sentido, as condições objetivas,
materiais, econômicas e jurídicas se entrelaçam com as condições subjetivas,
culturais e ideológicas para a produção e reprodução de identidades
reconhecidas no seio de uma determinada ordem social.
A identidade de gênero feminina para uma mulher, embora a sociedade tenha
se transformado e muitos dos conceitos moralistas, machistas e sexistas tenham
perdido força, ainda está atrelada à ideia do bom comportamento, do recato, do
cuidado, da sensibilidade. Tudo que foge a isso é visto como moralmente
incorreto. Na ordem capitalista vigente, esses ideais morais quando alinhados
ao regime econômico tendem a mais uma vez normalizar corpos e modos de vida,
criticando determinados usos e operações no corpo e na imagem, e muito mais
objetivamente quando se trata do corpo feminino já que esse é duplamente
disciplinado por uma economia patriarcal e capitalista.
No que se refere à sexualidade, ao uso do sexo/gênero e do corpo como
instrumento de prazer, no sistema capitalista e patriarcal, serão considerados
realizáveis apenas para o desejo masculino, heterossexual e monogamicamente.
Discriminar-se-á, com isso, toda expressão da sexualidade e do sexo que fuja e
que conteste esses moldes, transformando a sexualidade "em espaço de
exercício de relações de dominação, com o recurso à violência para subordinação
do oprimido(a). Violência sempre presente, mesmo que apenas nas piadas,
cantadas e ameaças" (GODINHO, 1989, p. 5).
Os fenômenos da sexualidade e do gênero, quando afirmados socialmente no
campo dos direitos humanos, surgem alinhados a uma luta que buscava novas
relações de igualdade e liberdade (GOHN, 1997). Percebe-se, entretanto, que, na
história dessas lutas, os movimentos se apoiaram muito mais em políticas de
identidade em detrimento de questionarem a própria ordem social vigente. O que,
se, por um lado, prioriza a afirmação de seus espaços na sociedade, por outro
lado acarreta maior vulnerabilidade ao não transformar a raiz cultural de
moralidade e da desigualdade.
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA 1🎒
Resolução das seguinte questão (que precisa ser respondida no link
abaixo):
Questão 63 da prova azul do primeiro dia do Enem
2017 Segunda Aplicação
No Brasil, assim como em vários outros países, os modernos movimentos
LGBT representam um desafio às formas de condenação e perseguição social contra
desejos e comportamentos sexuais anticonvencionais associados à vergonha,
imoralidade, pecado, degeneração, doença. Falar do movimento LGBT implica,
portanto, chamar a atenção para a sexualidade como fonte de estigmas,
intolerância, opressão.
SIMÕES, J. Homossexualidade e movimento LGBT: estigma, diversidade e
cidadania. In: BOTELHO, A.; SCHWARCZ, L. M. Cidadania, um projeto em
construção. São Paulo: Claro Enigma, 2012 (adaptado).
O movimento social abordado justifica-se pela defesa do direito de
a) organização sindical.
b) participação partidária.
c) manifestação religiosa.
d) formação profissional.
e) afirmação identitária.
Comentário da questão
O movimento social abordado no texto (os modernos movimentos LGBT)
justifica-se pela defesa do direito de afirmação identitária. Não se trata, evidentemente, da luta pelo
direito de organização sindical, nem pela participação partidária. Da mesma
maneira, não se trata aqui da defesa da manifestação religiosa, e muito menos
da formação profissional. Os movimentos LGBT estão relacionados com a luta pelo
reconhecimento de identidades e pelo respeito à diversidade e à liberdade
sexual.
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA 2🎒
Questionário que poderá ser respondido em duplas para aplacar a situação
dos alunos que não dispõem de equipamento.
CLIQUE AQUI para responder ao questionário!
CLIQUE AQUI para visualizar as respostadas dadas pelos alunos.
Questões:
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, apresente o histórico da questão relativa à orientação sexual.
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, como pode ser compreendida a questão da sexualidade e gênero em meio aos diferentes autores?
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, como se constroem as políticas identitárias?
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, em que consiste a teoria queer?
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, como deve ser compreendido o conceito de identidade na discussão sobre sexualidade e gênero?
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, que tipo de contradição pode ser verificada no movimento feminista quanto a identidade de gênero?
Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, quais podem ser as consequências da negação da luta no contexto da identidade de gênero?
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