Aula 27 Teoria Queer e Identidade de Gênero

TEMA: Teoria Queer e Identidade de Gênero

 

Nossa aula foi:

3ºA, quarta-feira, 16 de novembro de 2022.

3ºB, Clique ou toque aqui para inserir uma data..

3ºC, terça-feira, 22 de novembro de 2022.

3ºD, quarta-feira, 23 de novembro de 2022.


EIXO TEMÁTICO

Identidade, Preconceito e Discriminação

 

HABILIDADES

Entender os problemas sociais e seus reflexos para a mobilização de pessoas e grupos sociais dentro da sociedade.

 

CONTEÚDO

Os movimentos sociais de minorias em busca de identidade e cidadania: Afrodescendentes; Mulheres, LGBT, Ambientalistas, MST, e mais aqueles que forem pertinentes à realidade local.

 

METODOLOGIA:

O objetivo dessa aula é trabalhar o conceito queer e identidade no contexto da discussão sobre gênero e sexualidade.

Para tanto, nos serviremos de aula expositiva com base em leitura de texto e resolução de uma questão durante o debate da aula e um questionário exploratório do texto com a utilização de aparelho eletrônico com conexão com a internet.

 

MATERIAL:

TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO

 

Se a heterossexualidade sempre existiu, também foi assim com todas as outras possibilidades de sexualidade. Todavia, a categoria homossexualidade é uma invenção do século 19, como aponta Louro (2001) ao dizer que a prática homossexual, mesmo sendo ainda considerada desviante, já passava a ser também reconhecida como tipo especial e distintivo de sexualidade do ser humano, o que perdurou até meados da década de 1970. Pouco a pouco, segundo a autora, começa a surgir a ideia de uma comunidade homossexual, na qual seus integrantes se encontrariam representados em razão de suas orientações sexuais, buscando direitos de igualdade mesmo se considerando diferentes do restante da sociedade heterossexual. Apoiavam-se, assim, em uma identidade homossexual que deveria, sobretudo, ser pública.

 

Durante muito tempo e ainda na atualidade, diferentes autores dos estudos sobre a sexualidade e o gênero têm pensado essas categorias como identidades fixas, alinhadas e compartilhadas universalmente, mesmo que aceitem, como Mott (2003), recortes transversais de raça/etnia, idade, classe social, entre outros. Para entender como isso funciona, é necessário recorrer aos estudos sobre identidade e ancorar a compreensão em autores que dirão que a identidade, ao contrário do que se possa pensar, não é estática nem permanente, mas acompanha a dinamicidade e o movimento da história e do real (FERNANDES, 2006).

 

No entanto, esses autores, conhecidos por construírem políticas identitárias no seio da discussão sobre sexualidade e gênero, compreendem tais temas sob uma perspectiva essencialista (COLLING, 2010), unificada (LOURO, 2001) e conservando representações sociais vigentes (MISKOLCI, 2009). Enquanto trabalham pela inclusão dos não heterossexuais na dinâmica social, lutando por reconhecimento e legitimação, acabam por esquecerem de fazer a crítica à esses modelos já definidos, sob o discurso de que essas identidades devem ser aceitas a qualquer custo6. Essa luta, que é também "um apelo no social para que a identidade dos sujeitos permaneça igual a um determinado tipo de identidade, que é produzida pela cultura do seu tempo histórico" (FERNANDES, 2006, p. 2), demanda que homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais consolidem suas identidades de um modo transcultural e transecular, de modo que coincida com a identidade idealizada ainda na década de 1970 quando do surgimento dos guetos e comunidades homossexuais.

 

Um contraponto importante a essa discussão é o que se convencionou chamar na história de Teoria Queer, como método analítico que além de defender a desnaturalização da sexualidade e do gênero como fenômenos não implícitos da natureza, mas de ordem também política, social e cultural percebe as identidades e a própria sexualidade de forma muito mais fluída, apontando as fraturas e contradições da estrutura social, contestando os "regimes normalizadores que criam tanto as identidades quanto sua posição subordinada no social" (MISKOLCI, 2009).

 

É nesse sentido que o conceito de identidade não pode representar algo estanque, tampouco deve ser percebido como caráter de idêntico em uma sociedade onde a diversidade é tamanha (FERNANDES, 2006), pois se o pensamento for esse, estaria corroborando com a ideia falsa, por exemplo, de uma identidade sexual naturalmente heterossexual, construída em um determinado tempo histórico e estabelecida no campo da cultura.

 

Essas contradições nas políticas identitárias podem ser percebidas também quando se trata do movimento de mulheres, ou, como se convencionou chamar na contemporaneidade, sobre as políticas de gênero – mesmo que, majoritariamente, essas políticas não sejam para os homens.

 

Butler (2010) em suas análises sobre as questões relativas ao gênero aponta que o movimento feminista pressupunha em sua origem e na essência, uma identidade definida e genericamente compartilhada para a categoria de mulheres, na qual elas se reconheceriam e se representariam. Para a autora, no entanto, não há um sujeito do feminismo e quiçá as mulheres ocupam esse lugar simplesmente por serem biologicamente mulheres:

 

[...] já não está claro que a teoria feminista tenha que tentar resolver as questões da identidade primária para dar continuidade à tarefa política. Em vez disso, devemos nos perguntar: que possibilidades políticas são consequências de uma crítica radical das categorias de identidade? Que formas novas de política surgem quando a noção de identidade como base comum já não restringe o discurso sobre políticas feministas? E até que ponto o esforço para localizar uma identidade comum como fundamento para uma política feminista impede uma investigação radical sobre as construções e as normas políticas da própria identidade? (BUTLER, 2010, p. 9-10).

 

Lutar pela igualdade entre mulheres e homens como se todos fossem idênticos, sem levar em consideração a diversidade ou lutar pela equidade em razão das diferenças entre mulheres e homens o que, por vezes, marca antigas relações de gênero e naturaliza a subordinação da fêmea ao macho como algo essencial de seus sexos quaisquer dessas posições endossam e definem as pessoas, incumbido papeis de gênero, modos e condições de vida, distintos para homens e mulheres, porque colocam mais uma vez as relações humanas no binarismo compulsório do qual todos fazem parte.

 

SEXUALIDADE EM RELAÇÃO COM O SISTEMA ECONÔMICO

 

Mas a produção de identidades também está atrelada às condições objetivas e subjetivas para o seu reconhecimento. Silveira (2002, p. 104) entende que os processos subjetivos possuem relação com a interioridade dos sujeitos, "tensionados e interpelados através das expressões concretas da sociabilidade hegemônica". Nesse sentido, as condições objetivas, materiais, econômicas e jurídicas se entrelaçam com as condições subjetivas, culturais e ideológicas para a produção e reprodução de identidades reconhecidas no seio de uma determinada ordem social.

 

A identidade de gênero feminina para uma mulher, embora a sociedade tenha se transformado e muitos dos conceitos moralistas, machistas e sexistas tenham perdido força, ainda está atrelada à ideia do bom comportamento, do recato, do cuidado, da sensibilidade. Tudo que foge a isso é visto como moralmente incorreto. Na ordem capitalista vigente, esses ideais morais quando alinhados ao regime econômico tendem a mais uma vez normalizar corpos e modos de vida, criticando determinados usos e operações no corpo e na imagem, e muito mais objetivamente quando se trata do corpo feminino já que esse é duplamente disciplinado por uma economia patriarcal e capitalista.

 

No que se refere à sexualidade, ao uso do sexo/gênero e do corpo como instrumento de prazer, no sistema capitalista e patriarcal, serão considerados realizáveis apenas para o desejo masculino, heterossexual e monogamicamente. Discriminar-se-á, com isso, toda expressão da sexualidade e do sexo que fuja e que conteste esses moldes, transformando a sexualidade "em espaço de exercício de relações de dominação, com o recurso à violência para subordinação do oprimido(a). Violência sempre presente, mesmo que apenas nas piadas, cantadas e ameaças" (GODINHO, 1989, p. 5).

 

Os fenômenos da sexualidade e do gênero, quando afirmados socialmente no campo dos direitos humanos, surgem alinhados a uma luta que buscava novas relações de igualdade e liberdade (GOHN, 1997). Percebe-se, entretanto, que, na história dessas lutas, os movimentos se apoiaram muito mais em políticas de identidade em detrimento de questionarem a própria ordem social vigente. O que, se, por um lado, prioriza a afirmação de seus espaços na sociedade, por outro lado acarreta maior vulnerabilidade ao não transformar a raiz cultural de moralidade e da desigualdade.

 

🔖ATIVIDADE AVALIATIVA 1🎒

Resolução das seguinte questão (que precisa ser respondida no link abaixo):

CLIQUE AQUI!


 

Questão 63 da prova azul do primeiro dia do Enem 2017 Segunda Aplicação

No Brasil, assim como em vários outros países, os modernos movimentos LGBT representam um desafio às formas de condenação e perseguição social contra desejos e comportamentos sexuais anticonvencionais associados à vergonha, imoralidade, pecado, degeneração, doença. Falar do movimento LGBT implica, portanto, chamar a atenção para a sexualidade como fonte de estigmas, intolerância, opressão.

SIMÕES, J. Homossexualidade e movimento LGBT: estigma, diversidade e cidadania. In: BOTELHO, A.; SCHWARCZ, L. M. Cidadania, um projeto em construção. São Paulo: Claro Enigma, 2012 (adaptado).

 

O movimento social abordado justifica-se pela defesa do direito de


a) organização sindical.

b) participação partidária.

c) manifestação religiosa.

d) formação profissional.

e) afirmação identitária.

 

Comentário da questão

O movimento social abordado no texto (os modernos movimentos LGBT) justifica-se pela defesa do direito de afirmação identitária.  Não se trata, evidentemente, da luta pelo direito de organização sindical, nem pela participação partidária. Da mesma maneira, não se trata aqui da defesa da manifestação religiosa, e muito menos da formação profissional. Os movimentos LGBT estão relacionados com a luta pelo reconhecimento de identidades e pelo respeito à diversidade e à liberdade sexual.

 

🔖ATIVIDADE AVALIATIVA 2🎒

Questionário que poderá ser respondido em duplas para aplacar a situação dos alunos que não dispõem de equipamento.

CLIQUE AQUI para responder ao questionário!


CLIQUE AQUI para visualizar as respostadas dadas pelos alunos.

Questões:

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, apresente o histórico da questão relativa à orientação sexual.

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, como pode ser compreendida a questão da sexualidade e gênero em meio aos diferentes autores?

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO, como se constroem as políticas identitárias?

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO,  em que consiste a teoria queer?

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO,  como deve ser compreendido o conceito de identidade na discussão sobre sexualidade e gênero?

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO,  que tipo de contradição pode ser verificada no movimento feminista quanto a identidade de gênero?

Com base no texto TEORIA QUEER E TEORIA IDENTITÁRIA EM RELAÇÃO À SEXUALIDADE E O GÊNERO,  quais podem ser as consequências da negação da luta no contexto da identidade de gênero?

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